O Mercado de TI e as Certificações

10/02/2011

POR JUVENAL SANTANA

O Mercado de Tecnologia é altamente competitivo tanto para as empresas quanto para os profissionais que nelas trabalham.

Isto acontece, pois cada vez mais temos menos fronteiras, as distâncias parecem ter diminuído, e há menos impedimentos para concorrer. As empresas e profissionais que antes trabalhavam localmente agora estão competindo globalmente.

Como toda ação gera uma reação, competir nesse novo cenário obriga os profissionais de TI a mudarem de estratégia e obrigam as empresas a selecionarem muito bem as pessoas que farão parte de seus times.

Os critérios mudaram. Se antes o fato de se conhecer uma linguagem de programação ou um banco de dados era suficiente para garantir que o profissional estava apto aos desafios de projetos de TI, hoje é necessário algo mais.

Um novo critério foi adotado para selecionar profissionais capazes nesse cenário competitivo da Tecnologia da Informação: as certificações.

As certificações são utilizadas em processos de seleção de profissionais de empresas que se preocupam com a qualidade do profissional que irá integrar suas equipes enquanto as empresas compradoras, por sua vez, selecionam fornecedores utilizando como critério as certificações corporativas.

Este tipo de seleção sempre fez parte do Mercado, um exemplo são as consolidadas ISOs, que possuem diversos níveis e é aplicada em diversos seguimentos, porém hoje se tornou regra e uma lista de pré-requisitos em certificações é cada vez mais comum em anúncios de vagas ou como critério para seleção de fornecedores.

Especificamente para empresas de Tecnologia da Informação, foi após os escândalos financeiros e contábeis que destruíram diversas empresas norte-americanas que a preocupação com certificações aumentou.

Com a exigência de Governança Corporativa para abertura de capital, a Lei Sarbanes Oxley (SOX) e sua extensão para o mercado mundial, inclusive brasileiro, a Tecnologia da Informação foi posicionada como grande co-responsável pelo cumprimento das exigências da lei.

Com isso, o foco das certificações corporativas aumentou e exemplos não faltam: como a ISO/IEC-27002 com foco em segurança da informação, e ISO/IEC-20000 com foco no gerenciamento de serviços de TI (ITIL® – Information Technology Infrastructure Library), e outras.

Para as empresas que terceirizam o desenvolvimento de software, ficou como critério de seleção a exigência de execução de processos que garantam a qualidade do produto. Para isso, o CMMi® (Capability Maturity Model) e o MPS.br® (Melhoria de Processo do Software Brasileiro) são os mais exigidos.

Junto com estes dois modelos é trazido também todo a exigência de processos de Gestão de Projetos, utilizando como base principalmente o PMBoK® (Project Management Book of Knowlodges), e outras literaturas do PMI® (Project Management Institute).

Dado esse cenário que foca a qualidade acima de tudo com base em padrões de referências,  as empresas buscam profissionais que sejam capazes de entender e executar processos que utilizam estas melhores práticas de mercado.

Para facilitar o processo de seleção, elas acabam utilizando como premissa contratar os profissionais certificados.

Como as certificações são independentes, fica a cargo de cada profissional investir em carreira, e consegui-las para garantir adequação no mercado.

Os profissionais que querem ocupar lugares de destaque no mercado de trabalho devem se preocupar em conseguir as seguintes certificações de acordo com a área de atuação:

- ITIL® Fountation V3, onde são explicados os conceitos da ITIL, seus processos e como devem ser executados nas empresas;

- Cobit® 4.1 Foundation, onde são explicados os conceitos de governança corporativa e governança de TI;

- PMP®, onde são explicados os conceitos de gerenciamento de projetos com base no PMBoK;

- SCRUM, onde são explicados os conceitos da metodologia ágil de gerenciamento de projetos;

- RUP®, onde são explicados os passos de engenharia de software para a construção de um produto com qualidade.

A TecPro.IT conta com parceiros em São Paulo, Campinas e Araraquara para oferecer estes treinamentos. Clique aqui e confira.

A ITIL e o Gerenciamento de Serviços de TI

26/10/2010

POR ADILSON TAUB JÚNIOR

A era da informação

Informação, palavra derivada do verbo latim “informare“, que significa “disciplinar”, “ensinar”, “instruir”, juntamente com o seu significado e importância, dita hoje o passo do mercado em todos os setores da economia mundial.

Podemos dizer que hoje a informação tem valor em si mesmo, ou seja, é considerada pelos gestores e líderes como um ativo de negócio e, muitas vezes, como o ativo mais importante e valioso do negócio.

Com isso, era de se esperar que a Tecnologia da Informação ganhasse destaque nos negócios atuais e passasse a exercer um papel também fundamental nas estratégias de Negócio.

Até pouco tempo atrás dizíamos que a TI servia como suporte ao Negócio, e hoje já se fala que na verdade a TI assumiu uma postura mais estratégica e, além de suportar o Negócio, fornecendo e gerenciando da melhor forma possível a informação, auxilia na criação e manutenção da Estratégia de Negócio, garantindo principalmente a eficácia e a eficiência das transações e do planejamento e execução das diretrizes da Governança Corporativa.

Serviços de TI

Atualmente a TI serve ao Negócio fornecendo e mantendo serviços de TI.

Por serviços de TI entendemos como “meios de entregar valor aos clientes, facilitando os resultados que os clientes querem alcançar, sem ter que assumir os custos e riscos específicos[1], ou seja, tudo que a TI pode entregar ao Negócio que agregue valor, sendo ela o maior responsável pelo sucesso dessa entrega e pelos riscos associados a isso.

Claro que essa definição pode parecer um tanto simplista (e é) e deixamos aqui de lado outras perspectivas do papel da TI, tal como o apoio à Gestão de Processos de Negócio, abordado no BPM, por exemplo (ver artigo sobre BPM), mas por questões didáticas e para nos mantermos no escopo do tema, assumimos apenas a perspectiva de TI como fornecedora de Serviços de TI para o Negócio.

Fornecer Serviços de TI, obviamente, não é uma tarefa simples e logo que essa prática se tornou comum foi natural o aparecimento de técnicas e ferramentas para auxiliar-nos nesse novo desafio. Principalmente por dois grandes motivos:

1) Riscos associados

Como o Negócio faz, cada vez mais, uso da TI e coloca sobre sua responsabilidade mais e mais pontos importantes, aumentando assim a dependência entre Negócio e TI, aparece aqui um novo risco:

Se a TI falha, o negócio falha. E por falha não estamos falando apenas da queda de um componente de TI, mas sim também da queda de qualidade desse componente. Por exemplo, um website de vendas pode não estar fora do ar, porém, o fato do tempo de resposta ter triplicado durante uma manhã é o suficiente para afastar alguns clientes mais exigentes.

Sendo assim, a TI precisa se precaver e tornar o gerenciamento dos processos de provisão desses serviços uma prática profissional e controlada, diminuindo o impacto desse novo risco associado: a dependência.

2) Perspectiva do Cliente

A abordagem do Gerenciamento da TI vem evoluindo nas últimas duas décadas e o foco vem deixando de ser a tecnologia em si e passando a ser a interação entre a TI e o Negócio e a perspectiva do Cliente em relação à contribuição da TI ao Negócio. Uma mudança um tanto quanto natural, uma vez que sem a satisfação do Cliente (quem patrocina os projetos de TI), novos projetos e aumento ou mesmo manutenção dos investimentos em tecnologia parecem cada vez mais distantes.

Podemos dizer que “provedores de serviços de TI não podem mais suportar o foco na tecnologia e na organização interna do departamento, agora eles precisam considerar a qualidade dos serviços que eles provêem e um foco no relacionamento com os Clientes[2]”.


[1] ITIL® V3 – Service Strategy

[2] IT Service Management Forum (2002). van Bon, J.. ed. IT Service Management: An Introduction. Van Haren Publishing.

Veja o artigo completo aqui.


3ª Conferência Qualidade de Software – MPS.BR e CMMi

06/10/2010

ADILSON TAUB JÚNIOR

O evento em questão foi a 3ª Conferência de Qualidade de Software nos dias 30 de Setembro e 01 de Outubro de 2010.

O objetivo do evento era reunir especialistas em diversas áreas de TI e Qualidade de Software para discutir temas em evidência no mercado atual, bem como a troca de experiências entre os participantes.

Participaram, nos dois dias do evento, uma média de 130 pessoas de diversas empresas, com diversos perfis e experiências no mercado.

Pela TecPro.IT, participou Adilson Taub Júnior, gerente de processos, que foi até o evento com o objetivo de capturar informações sobre Qualidade de Software e atualidades do mercado de TI para replicar na empresa e servir como benchmarking para posicionar a TecPro.IT, seus clientes  e parceiros de acordo com as tendências do mercado de TI.

1.     Resumos do evento

A seguir está relatado um resumo das principais palestras que ocorreram no evento e, para cada uma delas.

1.1     Palestra: Resultados da pesquisa “Qualidade no Setor de Software Brasileiro”

por Andreia Malucelli (PUC-PR)

A palestrante exibiu os resultados da pesquisa de qualidade, que pode ser visto por completo aqui.

Com base nos números apresentados na pesquisa, que teve como alvo empresas brasileiras de software de todos os tamanhos, vale a pena compararmos alguns números do mercado para efeito de benchmarking:

  • 96% das empresas fornecem software para o mercado privado, enquanto 4% fornecem para órgãos públicos
  • 39,5% das empresas possuem um pessoal regular de 11 a 50 pessoas envolvidas em projetos
  • 34,8% das empresas comercializam ERPs
  • 47% das empresas elaboram planejamento estratégico regularmente, enquanto apenas 6% nunca elaboram planejamento estratégico
  • 53,2% da empresas incluem metas ou diretrizes de qualidade e produtividade nos planos de projeto e programas, enquanto 2,7% nunca fazem isso
  • Em 42% das empresas, quem orienta e gerencia ações para gestão de processos e qualidade de software é a alta administração, enquanto 30,7% da empresas possuem uma gerência específica para isso
  • 16,6% das empresas são CMMi, dessas 59,1% estão no nível 2, 22,7% no nível 3 e 4,5% no nível 5
  • 17,7% das empresas são MPS.br, dessas 38,7% estão no nível F
  • 34,5% das empresas estimam projetos com Pontos de Função, enquanto 33,7% estimam com Use Case Points
  • 22,7% das empresas não utilizam métodos formais de estimativa de projetos
  • 75% do pessoal das empresas são graduados e 12% pós-graduados
  • 19,5% das empresas possuem pessoal certificado PMP
  • 17,1% das empresas possuem pessoal certificado ITIL
  • 14,6% das empresas possuem pessoal certificado em Testes
  • 58,4% das empresas possuem acesso livre à internet
  • 76,2% das empresas participam em eventos nacionais de TI
  • 39,4% das empresas premiam seus colaboradores com bônus
  • 6,4% das empresas premiam seus colaboradores com participação nos lucros
  • 9,8% das empresas premiam seus colaboradores com gratificação anual

Clique aqui para ver o artigo completo:
http://www.tecproit.com.br/downloads/Artigo-MPSBRCMMI-OUT2010-Adilson-TecProIT.pdf

Clique aqui para ver a pesquisa de qualidade completa do MCT:
http://www.tecproit.com.br/downloads/[Pesquisa] – Qualidade no Setor de Software Brasileiro 2009.pdf

Veja também o artigo “RUP nos dias de hoje” feito também por Adilson Taub Jr:
http://www.tecproit.com.br/downloads/Artigo-RUP-JUN2009-Adilson-TecProIT.pdf

Veja também o artigo de BPM feito pelo Wilson que foi um grande destaque no evento e é uma tendência:
http://www.tecproit.com.br/downloads/Artigo-BPM-AGO2009-Wilson-TecProIT.pdf

Gartner afirma que os empreendimentos podem obter cerca de 20% de economia no primeiro ano de uso do BPM em Processos de Negócios

17/05/2010

Táticas e melhores práticas do BPM para serem discutidas na Conferência sobre BPM da Gartner, 23 a 25 de Março em San Diego

STAMFORD, 16 de Março, 2009

Enquanto as empresas tentam encontrar oportunidades de otimização de custo durante a crise econômica, investimentos em BPM (gerenciamento por processos de negócio) podem propiciar uma economia de cerca de 20% ao longo do primeiro ano de sua implementação, de acordo com a Gartner Inc. Analistas afirmam que os empreendimentos podem ter o retorno de seu investimento em BPM em um ano.

Problemas econômicos estão direcionando para o aumento do uso do BPM como um mecanismo de corte de custos para sobrevivência. Vemos um terço das empresas aumentando seus investimentos em BPM”, disse Michele Cantara, vice presidente de pesquisa da Gartner. “O BPM torna visíveis os processos de negócios para ambos, gerentes de negócios e TI, o que os permite trabalhar juntos e modificar processos de forma mais rápida e efetiva. Na tumultuada economia dos dias de hoje, as empresas necessitam reduzir, continuamente, seus custos, e rapidamente reagir às mudanças de mercado.

No evento sobre BPM realizado pela Gartner em Fevereiro/2009 em Londres, os participantes foram questionados acerca do impacto que a economia estava tendo sobre seus negócios. A Gartner estima que 70% dos participantes advinham de empresas que se encontram em modo de “sobrevivência”, e suas organizações vêem no BPM uma bóia salva-vidas, mantendo-as acima da água na crise econômica. Cerca de 20% dos participantes disseram que eles estavam “crescendo com BPM” – usando o BPM como um catalisador para crescimento de seus negócios. Essas eram tipicamente organizações que haviam implementado projetos de BPM com sucesso no passado. Outras estavam levando a economia de custos de resultados para dentro de outros projetos de BPM para a melhoria de processos contínuos de negócio, em vez de sobrevivência. Aproximadamente 10% dos participantes vinham de organizações que viam o BPM como uma arma para capitalização em oportunidades transformacionais indisponíveis para guerrear contra a concorrência nesse ambiente de recessão.

Quando as empresas se encontram em modo de sobrevivência, elas tendem a cortar recursos humanos e fundos para programas de redução de custos visando manter suas promessas de ganhos. Essa abordagem de cortes pode danificar processos críticos do negócio e, na realidade, custar mais dinheiro à empresa. Devido ao fato do BPM tornar visíveis os processos, ele também ajuda as empresas nos cortes de custos com precisão cirúrgica“, disse a Sra. Cantara.

A Gartner recomenda que as empresas usem BPM, uma disciplina que otimiza a performance dos processos do negócio ponta-a-ponta (end-to-end – funções interdepartamentais, parceiros, fornecedores e provedores de serviços), para confrontar os desafios dos negócios e suas relações complexas. Enquanto há tremendo otimismo quanto à utilização do BPM para concretizar ganhos significantes de custos, se as empresas não administrarem os processo corretamente, isso pode resultar em iniciativas fracassadas.

Muitas organizações estão adotando tecnologias BPM sem a aplicação de disciplinas do BPM via centro de competência de processos de negócios (BPCC) a acham que seus esforços não entregam os resultados prometidos, e suas iniciativas de BPM serão, conseqüentemente, descontinuadas”, disse Elise Olding, diretora de pesquisa da Gartner.

As organizações que planejam e têm recursos para o esforço em estabelecer e evoluir o BPCC, poderão mudar de discretos projetos de BPM para programas transformacionais em 6 a 12 meses. As organizações que não estabelecem um BPCC acharão que seus esforços estão estagnados em nível de projeto e seus resultados são muito pequenos. Os produtos de BPMS irão aparecer reportando capacidades e avaliações automatizadas especificamente desenhadas para auxiliar os diretores de processos de negócios a gerenciar o BPCC e fortalecer os níveis de maturidade de BPM da organização.

Analistas da Gartner disseram que, de alguma forma, o BPM não é diferente de nenhum outro esforço de gerenciamento. A Tecnologia é somente uma pequena parte do problema. Mudar o comportamento de participantes de processos é o desafio maior. Os projetos podem ser levados à lama nas políticas organizacionais e podem perder o caminho em meio a um lamaçal de gerenciamentos de mudanças e técnicas de comunicação.

Algumas organizações se vêem enredadas em debates sobre quem deveria conduzir o esforço, quem deveria ser o dono do processo ponta-a-ponta (end-to-end), como definir processos, e como priorizar quis esforços de melhorias de processos devem ser atacados primeiro”, disse Sra. Cantara. “Ainda, há algumas organizações que entendem o BPM e podem sustentar melhorias contínuas de processos. Tais organizações são capazes de lidar com o problema espinhoso de iniciar o BPM, afetando mudanças organizacionais, usando tecnologias apropriadas, bem como contratações e esforços de maturidade do BPM.”

Mais informações podem ser encontradas em www.gartner.com/us/bpm.

No relatório da Gartner “It’s a Matter of Survival: Use BPM to Drive Out Costs” a Gartner apresenta uma série de exemplos da vida real nos quais o BPM ajudou organizações a sobreviverem por meio da identificação de meios para melhorar processos de negócios e cortar custos ao mesmo tempo. O relatório está disponível em http://www.gartner.com/DisplayDocument?ref=g_search&id=911912&subref=simplesearch.

Em “Highlights from BPM Summit, London, February 2009”, analistas da Gartner revisam algumas das descobertas-chave que foram feitas na Conferência do mês passado. O relatório pode ser acessado no website da Gartner: http://www.gartner.com/DisplayDocument?ref=g_search&id=912924&subref=simplesearch.

Veja o artigo completo em português: http://www.tecproit.com.br/downloads/Artigo-BPM-MAI2010-Gartner-TecProIT.pdf

Gestão por Processos – Diferença entre a “visão departamento” e “visão por processos”

12/08/2009
A visão por processos é conhecida desde a época medieval com a atuação dos artesãos – responsáveis por todas as etapas do Processo de Produção. Com o advento da Revolução Industrial e da Administração Científica, ocorreu a produção em escala e a divisão do trabalho criando assim a especialização e a necessidade de coordenar lateralmente: Comunicações + Atividades.

Esta lógica da Divisão do Trabalho produziu Organizações Funcionais; estas organizações têm por objetivo a otimização dos indicadores de desempenho departamental em que atividades, indicadores e efeitos resultam numa distorção de percepção. Vejamos:

Atividade   Indicador   Efeito
Compras realizadas em maior escala possibilitam a redução dos preços de matéria-prima. à Diminui os custos dos insumos à Aumento dos custos por armazenagem (Estoque parado).
Engenharia de Produtos elabora um projeto considerando alto grau de customização. à Aumento dos pedidos de vendas à Aumento dos custos de Produção e Tempo de Entrega (Cliente insatisfeito).

 

Organograma Vertical – Visão departamental – Foco na organização

Organograma Vertical – Visão departamental – Foco na organização

Organograma Horizontal – Visão por processos – Foco no cliente e nos resultados

Organograma Horizontal – Visão por processos – Foco no cliente e nos resultados

Um processo é uma específica ordenação de atividades, que tem um objetivo de trabalho através do tempo e do espaço, com um início e um fim, assim como um conjunto claramente definido de entradas e saídas: uma estrutura de ação.

 À medida que a visão de processos se difunde, tendemos a ver as organizações como um feixe de processos.
Alguns deles pertencem a um departamento ou setor: podemos chamá‑los “intrafuncionais”. Outros são “transfuncionais”, pois atravessam departamentos ou mesmo organizações.

A figura abaixo faz uma comparação gráfica entre as visões departamental e de processos. Apesar de discussões de que na realidade a visão funcional passou a existir a partir de uma visão de linhas de montagem de Ford, a realidade é que esta visão se disseminou para outras atividades fora do chão de fábrica. As técnicas fordistas eram funcionais: cada trabalhador tinha uma visão departamental.

Visão Departamental x Visão de Processos. Fonte: Malamut (2005).

Visão Departamental x Visão de Processos. Fonte: Malamut (2005).

O Pensamento por Processo é uma orientação Gerencial para:
1. Agir proativamente na identificação de oportunidades de melhoria nos processos;
2. Aplicar conceitos de processos na solução de Problemas Organizacionais;
3. Atingir ganhos com a transferência de conhecimento e do pensamento por processos para funcionários, clientes e parceiros.

A visão por processo procura entender “o que precisa ser feito e como fazê-lo”. Nela, as tarefas não são definidas exclusivamente em função dos departamentos da organização. Ao se decidir o que precisa ser feito, tem-se em mente as atividades que agregarão valor para a organização sem se preocupar inicialmente em saber qual o departamento que as executará. Conforme mostrado abaixo, um processo pode cruzar departamentos e solicitar serviços de cada um deles dependendo da atividade a ser executada. 

Processos transversais e silos funcionais. Fonte: Lambert et al.(2001)

Processos transversais e silos funcionais. Fonte: Lambert et al.(2001)

As técnicas como Six Sigma, Lean,  TOC e TLS buscam esclarecer a contribuição de cada processo para a agregação de valor, para a geração de saídas indesejadas (ISO 14000), para o controle do desempenho e para a responsabilidade social da empresa.

O modo como os processos ocorrem de fato depende muito de seu contexto e do conhecimento disponível. Muitas destas discrepâncias entre os processos previstos e os processos executados decorrem da racionalidade local:

Existem limites práticos à racionalidade humana e essas limitações não são estáticas, mas dependem do meio organizativo no qual o indivíduo toma suas decisões.

É necessário uma “memória auxiliar” que apóie a tomada de decisão, pois, devido à complexidade dos sistemas administrativos modernos, nenhum homem consegue dominar todos os dados necessários a uma escolha “perfeitamente racional”. O volume de informação tornou-se tão elevado que nem mesmo informações plenamente organizadas bastam para uma perfeita racionalização das inúmeras micro-decisões que gerentes e mesmo operadores têm que tomar, continuamente. 

Há indicações de que a administração meramente calcada nos organogramas funciona em ambientes de simplicidade de Cadeia Produtiva, ou em ambientes que possuam boa funcionalidade hierárquica, adaptando-se muito bem às organizações hiper-estruturadas (Forças Armadas e Clero, por exemplo).

Mas nos departamentos e organogramas com uma visão por processos, os organogramas não se prestam para a análise dos processos de negócio, pois não mostram como eles funcionam na prática nem como ocorrem na empresa. Os processos de negócio estão relacionados com o funcionamento da organização e geralmente não respeitam os limites estabelecidos pelos organogramas. A organização de uma empresa por processos pode ter a aparência de uma estrutura funcional, com áreas funcionais bem definidas, mas com processos operando efetivamente de forma ortogonal (na horizontal). Não se trata de uma estrutura matricial, embora existam relações de dupla subordinação nas organizações por processos. Muitas vezes, as mesmas pessoas participam de vários processos simultaneamente. Na prática, as áreas funcionais e suas chefias não desaparecem quando a organização se estrutura por processos. À medida que os process owners (donos do processo) vão assumindo responsabilidade cada vez maior pelo projeto, pela estruturação e pelo funcionamento dos processos essenciais das empresas, os chefes das áreas funcionais se focam cada vez mais no treinamento e na capacitação do seu pessoal.

Nestas circunstâncias, dificilmente os departamentos deixariam de existir por conta da Visão por Processos. As referências em geral mostram que as inovações não eliminam a visão funcional que continua útil em muitas situações gerenciais. A quantidade de departamentos pode diminuir, alterar as responsabilidades, descentralizar, usar estrutura em matriz, mas isto não leva necessariamente à extinção por completo da estrutura hierárquica na forma de organogramas tal qual estamos habituados.

A gestão exclusivamente por processos em todas suas atividades seria apenas um modelo idealizado. Na prática, há empresas que “tenderiam a ser centradas em processos”, caminhando para uma maior maturidade nestes, mas com departamentos e com certa visão funcional, coexistindo com a visão de processos. Para se ter uma idéia mais clara sobre a visão de processos na organização, as características básicas de um modelo centrado e um não centrado em processos. Os dois “modelos ideais” representam mais um conjunto de sintomas e poderá haver uma mistura destas duas visões na organização.

A aplicação exagerada de qualquer técnica organizacional pode levar a um desnecessário dispêndio de energia. Muitas atividades executadas nas empresas podem não usar necessariamente um formalismo tão grande e uma aplicação direta de modelagem de processos e outros itens associados ao BPM. Além disso, deve-se lembrar sempre que processos de negócios nem sempre são linhas de montagem e os usuários possuem importantes conhecimentos e opiniões que podem compartilhar, agregando melhorias e contornando problemas insolúveis se ocorressem na mesma escala em linhas de montagem. Processos de negócios envolvem pessoas, comunicações de vários tipos e mudanças, não somente poderosos softwares e máquinas.

Alguns processos ocorrem tão esporadicamente, ou são tão imprevisíveis, ou se constituem em modo tão particular (ad hoc) que uma modelagem de processos pode ser até mesmo desnecessária. Este é o caso, por exemplo, do processo de formação de funcionários: cada funcionário o faz de maneira tão diferenciada, que pode ser complicado estabelecer um processo único para as carreiras.

Como qualquer outra mudança de paradigma, a visão de processos não é a solução de todos os problemas. Não se pode dizer: “BPM é a solução: qual é o problema?”. Mesmo sendo um entusiasta da visão de processos, deve-se analisar com muita cautela onde ela realmente ajudará; caso contrário trará empecilhos à organização.

Ao implementar um processo modelado pode-se gerar também alguma confusão, pois se ele é executado com pouca freqüência e/ou possui longo tempo de execução, pode ser vantajoso executá-lo manualmente e usando técnicas típicas de gerenciamento de projetos. Mais uma vez, há motivos para misturar conceitos. Exemplo: um planejamento anual de visitas a instalações é uma tarefa realizada todo ano, logo é um processo. Não caracteriza resultado único, o que implicaria em um projeto. Mas sua execução pode não justificar uma automação, pois a execução é rara. Este seria um típico exemplo de fronteira, aplicando esta filosofia dupla de gerenciamento de processos com gerenciamento de projetos para um dos casos mais extremos e de uso intenso.

A visão de que nem todo processo deva ser necessariamente informatizado e automatizado é ainda argumento para que se observe o volume, a variedade de atividades, a variação de produtos resultante do processo e a visibilidade do mesmo. Quanto menor o volume e maiores a variedade, a variação e a visibilidade, menor tendência à automação BPMS.

Exemplo de Alternativas de estruturas organizacionais:

Exemplo Estrutura Organizacional 1

Exemplo Estrutura Organizacional 1

Exemplo Estrutura Organizacional 2

Exemplo Estrutura Organizacional 2

Veja o artigo completo em:
http://www.tecproit.com.br/downloads/Artigo-BPM-AGO2009-Wilson-TecProIT.pdf

O RUP nos dias de hoje

10/06/2009

Em uma era onde metodologias Agile estão emergindo como respostas para problemas persistentes na produção de softwares de qualidade, falar em RUP pode parecer, em uma rápida e errônea análise, um passo para trás. Porém, se entendermos os conceitos por trás de cada modelo, processo ou framework, passamos a compreender que nenhum desses arcabouços deve prometer (e sequer faz essa promessa) a resolução de todos os problemas encontrados no dia-a-dia da Tecnologia de Informação.

O desenvolvimento iterativo e incremental apareceu no mercado na década de 90 e, infelizmente, vem sendo muito mal utilizado, principalmente quando analisamos empresas que dizem utilizar o RUP, por exemplo.

Vale ressaltar que os conceitos básicos desse processo/produto são: Iteratividade, Desenvolvimento Incremental e Customização.

Por ser um produto que traz uma série de modelos de artefatos (templates e guidelines) e uma quase infinidade de fluxos, atividades, etc., usuários do RUP geralmente esquecem o conceito “Customização” do tripé citado acima e passam a acreditar que, para se ter bons resultados com o processo, é necessária a adoção de todo o “pacote”. Bem, se pensarmos assim, e cotarmos a terceira perna dessa mesa, a mesa certamente irá cair ao primeiro sinal de movimento rumo a um projeto.

Além disso, o conceito de iterações, muito pregado também por frameworks como o SCRUM, por exemplo, nem sempre são levados a sério quando tratamos da implantação do RUP. Isso se dá, muitas vezes, por essa informação vital ser ofuscada por tantas outras que o processo traz, diferente do framework SCRUM, onde as Sprints ficam sempre muito claras em todas as palestras, workshops, etc. Com isso retiramos do RUP mais uma de suas fundações e ficamos então com uma ferramenta poderosa que, não nos servirá para muita coisa se levarmos em conta todo o investimento para que possamos utilizar apenas seu Desenvolvimento Incremental.

O RUP é um processo fabuloso e que, certamente traz ótimos resultados e controle sobre as atividades de produção de um software com qualidade, desde que seja bem implementado e, como qualquer outra ferramenta, seja devidamente entendida e que dela se utilize apenas o que é útil para um determinado cenário.

A aplicação do RUP em parceria com metodologias ágeis, processos em cascatas e em ambientes com muita documentação ou pouca (ou quase nenhuma!) é possível e todos ficariam gratamente surpresos ao constatar resultados provenientes de projetos de processos como esses.

Ainda vale a máxima que devemos sempre utilizar quando tratamos de processo: Um bom processo é um processo que atende às nossas necessidades. E, sendo assim, o RUP obviamente traz grandes ferramentas e conceitos que podem ser aproveitados para atender a essas necessidades, basta saber do que se fala, e como se utiliza.

Veja o artigo completo em:
http://www.tecproit.com.br/downloads/Artigo-RUP-JUN2009-Adilson-TecProIT.pdf 

Boas Vindas

29/05/2009

Este Blog tem como objetivo manter discussões sobre processos de negócio e processos de TI.

Destina-se à profissionais interessados nos seguintes assuntos: PMBoK, SCRUM, ITIL, COBIT, RUP e CMMi.

Ele é mantido pela TecPro.IT, com o objetivo de disseminar conhecimento entre os profissionais de Tecnologia da Informação.


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